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Para refletir ... sobre a escravidão.
Era um sonho dantesco... O tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho,
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...
Negras mulheres , suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas, espantadas
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs.
(Os escravo, Castro Alves. O navio negreiro
Tragédia no Mar. Recife, 7 de Junho de 1865.)
"Interrogai o mais vil serviçal, coberto de andrajos, nutrido com pão preto,
dormindo sobre a palha numa cabana entreaberta; perguntai-lhe se quer ser
escravo, melhor nutrido, melhor vestido, melhor acomodado. Não somente
responderá recuando horrorizado, mas haverá alguns a quem nem mesmo ousareis
fazer a proposta".
Puffendorf diz que a escravidão foi estabelecida "como um consentimento das
partes e por um contrato para fazer a fim de receber". Só acreditarei em
Puffendorf quando mostrar-me o primeiro contrato".
(Dicionário Filosófico, Voltaire – 1694-1778) |